Tropicália
Antropofagia musical: guitarras elétricas, psicodelia e ironia sobre tradições brasileiras.
Origem
São Paulo, 1967 e 1968. Os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, com Tom Zé, Gal Costa, os Mutantes, o maestro Rogério Duprat e os poetas Torquato Neto e Capinan, resolveram misturar tudo: Beatles e Vicente Celestino, guitarra elétrica e berimbau, Jovem Guarda e vanguarda. A ideia vinha da antropofagia de Oswald de Andrade: devorar a cultura de fora para criar algo brasileiro. A ditadura não gostou.
Como soa
Colagem. Uma canção pode começar com orquestra de filme, cair num baião, ganhar guitarra fuzz e terminar em ruído. Os arranjos de Duprat usam cordas e metais com ironia. Os Mutantes trazem psicodelia e humor. As letras falam do Brasil moderno e arcaico ao mesmo tempo, em imagens soltas, quase cinematográficas.
De onde vem o nome
Veio de uma obra do artista plástico Hélio Oiticica, a instalação Tropicália, de 1967. Foi o fotógrafo e produtor Luiz Carlos Barreto quem sugeriu o nome para uma canção de Caetano, que acabou batizando o movimento.
Discos essenciais
- Caetano Veloso Caetano Veloso · 1968
- Os Mutantes Os Mutantes · 1968
- Tropicália ou Panis et Circencis Vários (Caetano, Gil, Gal, Mutantes, Tom Zé, Nara Leão) · 1968
- Grande Liquidação Tom Zé · 1968
Linha do tempo
- 1967No festival da Record, "Alegria, Alegria" e "Domingo no Parque" chocam com guitarras elétricas.
- 1968Sai o disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circencis.
- 1968Caetano é vaiado com "É Proibido Proibir" e responde com um discurso furioso.
- dezembro de 1968Depois do AI-5, Caetano e Gil são presos.
- 1969Os dois partem para o exílio em Londres.
Os Mutantes tinham um técnico em casa: Cláudio César, irmão de Arnaldo e Sérgio, construía guitarras, amplificadores e efeitos para a banda numa época em que equipamento importado era quase impossível de conseguir.
Artistas-pilar
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes